sexta-feira, 25 de março de 2011

Letras ácidas

Salivo letras ácidas em folhas brancas tatuadas pela escuridão transparente do vazio nos olhos da minha alma. Meu silêncio é fonte incessante da minha busca pela expressão definitiva e inconstante daquilo que vive como matéria disforme e provocante em meu peito poético de veias cortantes e nua carne entre versos milimetricamente viciantes. Descubro escrevendo o que me completa e falta através do exercício proibido e delirante da inexistência impura, vadia e apaixonante da palavra. Simultaneamente me condeno ao chão sujo e me absolvo em nuvem purificada. Transito com intimidade entre inferno e paraíso com a mesma turva clareza que diariamente me ressuscita enquanto me mata. Sou poeta e mais nada. Minha substância interna, exposta, humana e sangrenta é agridocemente inexplorada. Pelo texto me submeto ao interminável desafio de alcançar a obra finalizada. Meu ponto de partida é sempre a minha chegada. Minha arte é literariamente inacabada. Continuo...

4 comentários:

  1. Continue sempre, para nosso deleite.
    Belo texto e belo espaço tens aqui. Por aqui retornarei, com certeza.

    Abraços.

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  2. Nunca deixe a pena descansar.
    Bem novinha,né? rs
    Transforme as palavras em suas escravas e as folhas em suas cobaias. Mantenha as duas sempre juntas e deixe vir à tona cada experiência rimada.
    Bom final de semana!

    Abraços da @sara_escritora

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  3. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  4. Monica, fico sempre impressionada com seu talento , cheio de criatividade e imaginação, seu jogo de palavras chega a desconcertar quem lê.

    forte abraço.

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